Em uma noite de contrastes no Morumbis, o São Paulo conquistou uma vitória magra de 1 a 0 sobre o Juventude, nesta terça-feira, no jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil. Apesar do resultado positivo e de jogar grande parte do segundo tempo com superioridade numérica, o clima entre a torcida e a direção do clube foi de extrema hostilidade, com vaias e xingamentos intensos marcando o confronto. Luciano foi o autor do gol tricolor, mas o desperdício de um pênalti no final do jogo e o futebol pouco convincente acirraram ainda mais os ânimos.

A insatisfação da massa são-paulina foi clara e vocalizada desde os momentos que antecederam o apito inicial. O técnico Roger Machado foi alvo de ruidosas vaias assim que seu nome foi anunciado nos telões, e os cânticos ofensivos se intensificaram ao longo da partida, especialmente quando a equipe, mesmo com um jogador a mais, não conseguia se impor. O diretor de futebol Rui Costa também não escapou da fúria dos torcedores, sendo alvo de xingamentos pesados antes do início do jogo e no intervalo.

Dentro de campo, o São Paulo iniciou a partida buscando o ataque, criando as primeiras chances com jogadas de bola parada e finalizações de média distância. Aos 15 minutos, Alan Franco cabeceou com perigo, obrigando o goleiro Pedro Rocha a fazer uma boa defesa. O time da casa parecia determinado a abrir o placar e, aos 32 minutos da etapa inicial, a insistência foi recompensada quando Artur, em jogada individual pela direita, cruzou na medida para Luciano antecipar a marcação e cabecear para o fundo das redes, inaugurando o marcador.

Contudo, a vantagem mínima não refletia a intensidade ofensiva do São Paulo. O Tricolor desperdiçou oportunidades claras de ampliar o placar antes do intervalo, com Cauly, em especial, perdendo um gol cara a cara com o goleiro adversário após boa trama ofensiva. A falta de efetividade nas finalizações já dava indícios de que o jogo seria mais complicado do que o esperado para os donos da casa.

1 / 9

O cenário parecia clarear para o São Paulo no início do segundo tempo, quando, aos três minutos, o Juventude teve o lateral Diogo Barbosa expulso após revisão do VAR, por uma entrada dura em Luciano. Com um jogador a mais, esperava-se que o time paulista controlasse as ações e construísse uma vitória mais confortável, mas o que se viu foi a manutenção da dificuldade em converter as chances criadas.

Mesmo em superioridade numérica, o São Paulo não conseguiu impor um ritmo avassalador. Artur acertou a trave e Calleri teve uma finalização defendida por Pedro Rocha, que se mostrava um obstáculo intransponível. Aos 29 minutos, Calleri, servido por Luciano, finalizou por cima do gol, reiterando a noite de pouca inspiração do ataque tricolor. A frustração atingiu o ápice nos acréscimos, quando o próprio Calleri desperdiçou um pênalti, defendido novamente pelo goleiro do Juventude, consolidando a sensação de oportunidade perdida.

Com o placar de 1 a 0, o São Paulo leva uma vantagem tênue para o jogo de volta, marcado para o dia 13 de maio, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. Um simples empate garante a equipe na próxima fase da Copa do Brasil. Em caso de derrota por um gol de diferença, a decisão da vaga será definida nas penalidades máximas, prometendo mais emoção e nervosismo para a torcida.

A vitória, embora importante para a caminhada na Copa do Brasil, não foi suficiente para apaziguar a ira dos torcedores, que esperam um desempenho mais consistente e um futebol mais convincente. A pressão sobre Roger Machado e Rui Costa permanece alta, e o ambiente hostil no Morumbis é um reflexo do descontentamento generalizado com o momento atual do clube.

Ambas as equipes agora voltam as atenções para seus compromissos pelos campeonatos nacionais. O São Paulo enfrenta o Mirassol no sábado pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, enquanto o Juventude recebe o Londrina, também no sábado, pela oitava rodada da Série B do Brasileirão, antes de se reencontrarem para o decisivo confronto pela Copa do Brasil.