O Santos Futebol Clube reconheceu publicamente uma expressiva dívida com a NR Sports, empresa da família de Neymar, referente a direitos de imagem do atleta. O valor total, estipulado em R$ 90,5 milhões, foi formalizado por meio de um aditivo contratual assinado no final do ano passado, visando a renegociação de pendências anteriores e o compromisso atual.
Reprodução / InternetO plano de pagamento detalhado no documento prevê a quitação em duas etapas distintas. A primeira parcela, de R$ 26 milhões, referente a um contrato já vencido, será paga em cinco parcelas mensais de R$ 5,2 milhões, de janeiro a maio deste ano, sem correção monetária. A segunda parte, de R$ 64,5 milhões, relacionada ao compromisso atual, será dividida em 43 parcelas mensais de R$ 1,5 milhão, a partir de junho, com valores corrigidos pelo IPCA/FGV.
Essa estrutura de pagamento projeta a quitação integral do débito somente no início de 2030, superando o período do vínculo contratual de Neymar com o próprio clube, que se estende até o fim de 2026. Além do longo prazo, o acordo impõe cláusulas rigorosas: o atraso de qualquer parcela dos R$ 64,5 milhões restantes acarretaria na exigência do montante total à vista.
O aditivo contratual revela ainda outras condições significativas impostas pela NR Sports. Entre elas, a reeleição do atual presidente, Marcelo Teixeira, nas eleições do final do ano, e a eventual transição do clube para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A permanência da atual gestão é vista como um fator de segurança para o recebimento dos valores, enquanto a transformação em SAF transferiria a responsabilidade da dívida para os futuros acionistas.
Em uma medida de segurança jurídica, o Santos ofereceu o Centro de Treinamento Meninos da Vila como garantia para o cumprimento das obrigações financeiras. Embora a NR Sports tenha optado por não comentar o assunto e o clube tenha alegado confidencialidade contratual, a prática de utilizar bens patrimoniais como lastro para dívidas não é inédita no futebol brasileiro, com exemplos anteriores envolvendo a própria Vila Belmiro em outras ocasiões e o CT do Internacional em uma situação recente, embora esta última tenha sido rejeitada pela Justiça.