Preparem os corações, amantes do bom futebol! A Finalíssima, aquele embate de titãs entre os reis da América e os senhores da Europa, virou uma verdadeira novela geopolítica antes mesmo de a bola rolar. Esqueçam o gramado, a tática, a técnica. O grande duelo agora é pelo... PALCO! O Catar, que prometia ser o anfitrião de luxo para o campeão da Copa América, a Argentina, e o vitorioso da Eurocopa, a Espanha, viu o sonho virar fumaça em meio aos estrondos da guerra no Oriente Médio, jogando a partida, que deveria ser no próximo dia 27, num limbo que nem a Fifa esperava.

Enquanto a Espanha, campeã da Eurocopa, já sonhava em receber os hermanos em seu santuário, o imponente Santiago Bernabéu – palco que respira história e glórias, segundo noticiado pela Rádio Cope – eis que surge a voz da provocação argentina. Claudio "Chiqui" Tapia, o presidente da AFA, com sua habitual sagacidade e aquele jeitinho maroto que só os cartolas sul-americanos têm, jogou um balde de água fria nos planos europeus. Em um golpe de mestre irônico, Tapia não só negou a possibilidade do Bernabéu, como jogou a responsabilidade para o outro lado do Atlântico: "Eles querem no Bernabéu, e eu quero no Monumental!", disparou o presidente da AFA à imprensa local, apontando para o caldeirão do River Plate, o Monumental de Núñez, como o local ideal para coroar o campeão dos campeões.

É um verdadeiro braço de ferro diplomático travestido de escolha de estádio. Enquanto técnicos, como o próprio da Espanha, já manifestavam preocupação com a segurança e a logística de uma partida no Catar, os cartolas parecem mais interessados em demarcar território e mostrar quem manda no pedaço. A Espanha ainda tem um amistoso pendurado no ar contra o Egito, que também estava programado para o Catar, complicando ainda mais a agenda. Mas, para a Argentina, o foco é um só: a Finalíssima e o direito de sediá-la em casa, no templo que viu tantas glórias.

Olha, no Central do Placar, a gente não se cansa de dizer: o futebol, infelizmente, virou um teatro de egos e interesses. Essa briga pelo palco da Finalíssima é a prova cabal disso. Em vez de focarem no espetáculo que Argentina e Espanha podem proporcionar, os cartolas se perdem em guerras de vaidade e demonstrações de força. O Chiqui Tapia, com sua tirada "Monumental", pode até ter um ponto ao defender a casa sul-americana e a coragem de peitar os europeus, mas a verdade é que essa indefinição toda tira o brilho de um jogo que deveria ser uma celebração. A Fifa e as confederações deveriam era ter um plano B, C e D para evitar essa palhaçada. Deixem a bola rolar onde quer que seja, mas garantam o show e a segurança, porque no fim das contas, quem perde com essa politicagem barata somos nós, os torcedores, que só queremos ver os gigantes em campo!