Salvador, BA – O revés por 2 a 0 do Atlético-MG diante do Vitória, no Barradão, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, expôs uma faceta preocupante na equipe alvinegra: a sua instabilidade emocional. Após a partida, o técnico Eduardo Domínguez não hesitou em apontar a falta de controle mental como o principal entrave para o desempenho do Galo, ressaltando que a condição psicológica é o maior desafio a ser superado neste momento da temporada.

O panorama da partida, inicialmente favorável ao Atlético-MG, sofreu uma guinada abrupta após o gol de Renato Kayzer, aos 19 minutos do primeiro tempo. Embora os mineiros exercessem um controle territorial e criassem diversas oportunidades para abrir o placar, a ineficácia na finalização custou caro. Domínguez, em sua análise, foi enfático ao descrever a transição de um cenário de superioridade para um de desordem.

"Tínhamos o jogo sob controle, com inúmeras situações de gol na área adversária, mas falhamos na efetividade. Em uma cobrança de falta, nos vimos em desvantagem. A partir daquele momento, fomos tomados pelo desespero, correndo sem direção, perdendo a ordem tática. No segundo tempo, novamente, não conseguimos ser cirúrgicos nas finalizações", detalhou o treinador. Ele acrescentou que a posse de bola, embora expressiva, não se traduziu em controle do jogo, mas sim em uma ansiedade desmedida para buscar o empate, resultando em vulnerabilidades defensivas. "Quando se corre para qualquer lado, a defesa invariavelmente sofre as consequências."

A derrota mantém o Galo em uma posição delicada na tabela do Brasileirão, com apenas cinco pontos, e a ameaça de terminar a rodada na zona de rebaixamento é palpável. O incômodo com a situação é admitido pelo técnico, que, contudo, busca extrair ensinamentos da performance em Salvador. "Tivemos três cabeçadas na pequena área, o que demonstra que chegamos a posições de perigo. É crucial manter a tranquilidade. Não nos agrada a situação, dói muito, mas precisamos ser inteligentes e identificar os aspectos positivos. No fim, são os detalhes que fazem a diferença", ponderou Domínguez.

Questionado sobre o rendimento aquém do esperado de alguns atletas, o comandante defendeu seu elenco, reiterando a importância do trabalho nos bastidores para a recuperação. Domínguez tem alternado a escalação em busca da formação ideal, empregando uma linha de três defensores nas últimas duas partidas e promovendo alterações significativas no setor ofensivo. Para ele, a "capacitação" vai além do campo.

"Podemos, sim, treinar. O treinamento não se resume a atividades físicas em campo; envolve conversas, análises de vídeo, indagações sobre o que sentem e o que precisam, como posso auxiliá-los. Isso também é treinamento", explicou. "Conheço o potencial de cada jogador, mas agora meu papel é motivá-los, gerar confiança e criar um ambiente propício para o crescimento individual. São grandes jogadores. Precisamos mais deste 'treinamento' fora de campo do que do outro, que exige enorme responsabilidade e concentração."

O Atlético-MG volta a campo na próxima quarta-feira, às 20h (de Brasília), para enfrentar o São Paulo na Arena MRV. Até o momento, a equipe conquistou apenas uma vitória no Campeonato Brasileiro – um 1 a 0 sobre o Internacional –, além de dois empates (Palmeiras e Remo) e três derrotas (Vitória, Bragantino e Grêmio). A capacidade de Domínguez em reverter o cenário psicológico e tático será fundamental para o futuro do Galo na competição.