Sob a batuta de Luis Zubeldía, o Tricolor carioca transformou as finalizações de longa distância em uma tática ofensiva vital, colhendo resultados expressivos na temporada 2026.

Quem acompanha os aquecimentos do Fluminense no estádio já percebeu a mudança: os minutos finais são dedicados aos chutes de fora da área. O que parece um simples treino de pontaria reflete uma estratégia que o técnico Luis Zubeldía tem implementado no clube em 2026. A equipe tem arriscado cada vez mais de longe, com os números recentes confirmando essa guinada. Contra o Atlético-MG, por exemplo, o Tricolor registrou um recorde pessoal na temporada, com dez finalizações de longa distância. Na rodada anterior, diante do Vasco, foram nove arremates do mesmo tipo.

Estratégia Confirmada

Essa abordagem não é por acaso. Dados levantados pelo Gato Mestre mostram que o Fluminense, sob o comando de Zubeldía, tem uma média de quase seis finalizações de fora da área por jogo. Isso representa cerca de 40% do total de chutes da equipe, um salto significativo. Para se ter uma ideia, antes da chegada do treinador, em setembro do ano passado, essa média era de 4,25 chutes de longe por partida. O aumento não é apenas numérico, mas revela uma mudança tática e de mentalidade da equipe.

Liberdade e Eficiência

O volante Martinelli, um dos atletas que mais tem arriscado, confirmou a orientação de Zubeldía. “Ele sempre nos passa muita confiança, dizendo que, se a bola sobrar na entrada da área, é para arriscar. Ele dá liberdade para o jogador tentar”, explicou Martinelli. Essa liberdade tem se traduzido em gols importantes. Hércules, outro meio-campista, é um exemplo disso, já tendo marcado um gol de fora da área nesta temporada. A permissão para o arremate é um claro incentivo para explorar essa alternativa ofensiva.

Gols Que Valem Ouro

A efetividade da estratégia já se reflete no placar. Em 2026, o Fluminense já marcou dois gols de fora da área. O primeiro veio dos pés de Canobbio na vitória por 3 a 1 sobre o Bangu, pelo Campeonato Carioca. Mais recentemente, Hércules balançou as redes em um clássico contra o Vasco, mesmo na derrota por 3 a 2 no Brasileirão. Esses lances são cruciais, demonstrando que a aposta nas finalizações de longa distância não é apenas volume, mas se converte em pontos e momentos decisivos para o time.

O Impacto no Campo

A prática se tornou uma arma tática valiosa para o Fluminense, especialmente em partidas onde os adversários optam por uma linha defensiva baixa e compacta, dificultando as infiltrações. “É uma arma que pode surpreender o adversário. Às vezes, a linha está muito baixa, não tem espaço para entrar e acaba surgindo a oportunidade”, completou Martinelli. Essa capacidade de chutar de longe oferece ao time de Zubeldía uma forma de desequilibrar defesas fechadas, seja abrindo espaços ou forçando erros dos goleiros e defensores, e adiciona imprevisibilidade ao ataque tricolor.

Agora, com essa faceta do jogo mais apurada e incentivada, os adversários do Fluminense precisarão rever suas estratégias defensivas. O Tricolor não é mais um time que busca apenas o toque de bola e a infiltração. Ele possui uma nova camada ofensiva, capaz de decidir partidas com chutes potentes e certeiros de média e longa distância. Isso significa mais opções para Zubeldía e uma preocupação extra para os adversários do Fluminense, que precisarão fechar não apenas a área, mas também sua entrada.