A disputa judicial entre a FGoal, empresa responsável pelos serviços de alimentação e bebidas do Morumbis, e o São Paulo Futebol Clube ganhou um novo e significativo capítulo. A fornecedora protocolou uma ação renovada contra o Tricolor, buscando não apenas uma indenização, mas também o restabelecimento do contrato ou o cumprimento de um aviso prévio substancial. A complexidade do caso é acentuada pela anexação de uma carta de Antonio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, ex-diretor do clube social, que oferece uma versão dos fatos divergente da justificativa inicial do São Paulo para a rescisão.
Após uma tentativa anterior de ação judicial, que fora retirada, a FGoal, agora sob nova representação jurídica, busca uma indenização de aproximadamente R$ 200 mil. No cerne do novo processo, a empresa pleiteia o restabelecimento do contrato – que originalmente se estenderia até 2029 – ou, como alternativa, o cumprimento integral de um aviso prévio contratual de 120 dias. A ação ainda prevê a aplicação de uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, além de exigir reparação pela conduta do clube ao longo do desenrolar do caso.
O elemento mais intrigante desta nova investida jurídica reside na carta protocolada por Dedé. O ex-diretor do clube social afirma categoricamente ter autorizado a FGoal a realizar movimentações financeiras diretas nas maquininhas de pagamento, ressaltando que tal procedimento contava com a expressa anuência do departamento financeiro do São Paulo. Em seu relato, Dedé detalha uma reunião ocorrida em julho de 2024, com a participação do então diretor financeiro Sérgio Pimenta, cujo objetivo era viabilizar a implantação da plataforma de vendas ZigPay no ambiente social do clube.
De acordo com o depoimento de Dedé, a autorização verbal concedida à FGoal visava otimizar a operação, permitindo que a empresa assumisse a gestão com a contratação de três funcionários. Os custos dessa estrutura, estimados em R$ 395 mil, seriam, segundo ele, cobertos pelas próprias movimentações financeiras da plataforma. O ex-dirigente argumenta que a diretoria financeira tinha pleno acesso à plataforma e acompanhava de perto relatórios e o fluxo financeiro. Ele sustenta que os valores recebidos pela FGoal eram destinados ao pagamento de prestadores de serviço, uma informação que, segundo ele, pode ser comprovada por registros e trocas de e-mails entre a empresa e dirigentes do clube. Dedé ainda pontua que auditorias internas foram realizadas no período, resultando em uma melhora significativa nos resultados, elevando a arrecadação de R$ 45 mil para R$ 160 mil e encerrando a inadimplência.
A versão apresentada pelo ex-diretor contrapõe a motivação oficial divulgada pelo São Paulo para a rescisão unilateral do contrato. O Tricolor havia alegado a identificação de supostos saques indevidos no sistema que registra pagamentos no clube social, o que culminou na notificação da fornecedora e na interrupção imediata dos serviços. A defesa da FGoal, por sua vez, sugere que a rescisão teria motivação de cunho político.
O processo tramita em segredo de Justiça na 3ª Vara Cível do Foro Regional do Butantã, na capital paulista, e já obteve um pedido de tutela de urgência deferido em favor da FGoal. Esta decisão judicial impede o clube de retirar equipamentos e produtos da empresa do Morumbis, um ponto que o São Paulo busca reverter. Paralelamente à contenda legal, o clube agiu rapidamente para assegurar a continuidade dos serviços de alimentação e bebidas, firmando um acordo com a empresa GSH, que deverá estrear suas operações já no próximo jogo no Morumbis, neste sábado, contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro.
Em manifestação oficial, o São Paulo Futebol Clube informou ter "tomado conhecimento da ação judicial e adotará as medidas cabíveis para proteger os direitos da instituição". O clube reiterou que o contrato com a FGoal não será restabelecido e que buscará "reinstituir o direito de retirar todos os materiais da empresa que permanecem no Morumbis", alegando ter aguardado além do prazo determinado para que todos os objetos fossem removidos.
Este intrincado cenário jurídico e administrativo se desenvolve em um contexto mais amplo de investigações, uma vez que um novo inquérito apura possíveis irregularidades no departamento social do São Paulo. A carta de Dedé, assinada em 14 de maio, emerge como um elemento crucial que pode oferecer novas perspectivas à apuração, adicionando complexidade a uma situação já delicada para o clube no âmbito extracampo.
CENTRAL DOPLACAR