Na noite desta segunda-feira, 2026, o Corinthians viveu mais um capítulo de sua conturbada política interna. Os conselheiros do clube do Parque São Jorge aprovaram o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo. A decisão, tomada após uma reunião marcada por intensa discussão e divergências, transfere imediatamente a chefia do órgão fiscalizador das contas alvinegras para Leonardo Pantaleão, que ocupava a vice-presidência. A medida agrava a instabilidade política que cerca o Timão neste ano.

**O Estopim da Crise**

A sessão que resultou no afastamento foi convocada pelo presidente do Corinthians, Osmar Stabile, que alegou sofrer interferência direta de Tuma Júnior em sua gestão. Essa disputa já havia gerado um grande alvoroço em 9 de março de 2026, durante a convocação para a votação da reforma do estatuto. Naquela ocasião, Stabile acusou Tuma Júnior de ameaçá-lo dentro das dependências do clube, afirmando que o então presidente do Conselho Deliberativo teria exigido obediência em suas decisões. O episódio culminou com a interrupção da reunião e o adiamento da votação sobre a reforma, que entre outras propostas, sugere dar aos membros do programa Fiel Torcedor o direito de voto nas eleições presidenciais.

**Uma Reunião Tumultuada**

A reunião desta segunda-feira, 2026, para deliberar sobre o futuro de Tuma Júnior, não foi menos polêmica. Nem Tuma Júnior, nem Leonardo Pantaleão compareceram, citando desacordos com a legalidade do encontro. Maria Angela Ocampos, 1ª Secretária, presidiu o início dos trabalhos, mas logo deixou o Parque São Jorge, declarando à imprensa que encerrava a reunião devido a "irregularidades estatutárias". Apesar disso, o rito foi continuado sob a condução de Denis Nieto Piovesan, 2º Secretário. Após cerca de três horas, os 137 conselheiros presentes registraram seus votos, com um placar final de 115 a favor do afastamento provisório, 15 contrários e sete abstenções.

**Próximos Passos e Contestações**

Agora, Romeu Tuma Júnior aguardará o parecer da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians, que instaurará um processo interno, ouvindo os envolvidos antes de emitir um relatório ao Conselho Deliberativo. Somente após a conclusão desse processo, os conselheiros votarão o afastamento definitivo. Entretanto, aliados de Tuma Júnior já sinalizam que a legalidade da reunião pode ser questionada. Argumentam que a convocação não poderia ter sido feita por Stabile sem a anuência do presidente do Conselho, e que a reunião não deveria ter prosseguido após Maria Angela Ocampos declarar seu encerramento.

**O Impacto na Gestão Esportiva**

Este novo conflito político se soma a um período já desafiador para o Corinthians em 2026. A equipe, sob o comando de Dorival Júnior, vem de uma sequência de resultados irregulares no Campeonato Brasileiro, e o comentarista André Rizek comentou recentemente que "o Corinthians é um time que escolhe jogo", apontando para uma inconsistência na performance. Além disso, o clube lida com a lesão de Memphis Depay, que o afastará da estreia na Libertadores, e com investigações internas, como o pedido de abertura de inquérito contra Adriano Monteiro Alves por estelionato. Tais turbulências na esfera política naturalmente afetam o ambiente geral e a capacidade de foco da diretoria em questões relacionadas ao futebol.