**A Convocação para a Unificação em 2026**

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) movimenta-se para consolidar uma liga única no cenário nacional em 2026. A entidade convocou as quarenta equipes das Séries A e B para um encontro agendado para o próximo dia 6 de abril, no Rio de Janeiro. O objetivo central é discutir os parâmetros para essa unificação, tendo como diretriz principal a autonomia total dos clubes nas decisões comerciais do futuro bloco, vetando a interferência de investidores externos que possuam poder de decisão. Esta iniciativa marca uma posição mais ativa da confederação, que vinha observando as tentativas anteriores de organização dos clubes à distância.

**Um Histórico de Divergências Desde 2022**

A formação de uma liga para o futebol brasileiro é uma aspiração antiga, mas permeada por divisões. Em 2022, a criação da Libra marcou o início das articulações, seguida pela formação do Forte Futebol União (FFU). A CBF, durante a gestão de Ednaldo Rodrigues, havia concedido aos clubes a liberdade de se organizarem. No entanto, a promessa de uma união para a liga nunca se concretizou, com os grupos focando, principalmente, na negociação dos direitos de transmissão para o ciclo que termina em 2029. Recentemente, conflitos internos fragilizaram ambos os lados: a Libra enfrentou questões judiciais, enquanto a FFU viu clubes das Séries B e C questionarem seus acordos. Há cerca de dez dias, tanto a Libra quanto a FFU publicaram comunicados que apontavam para a necessidade da participação da CBF no processo de unificação.

**O Ponto de Atrito: A Influência do Investidor**

A proposta da CBF esbarra em um modelo já estabelecido por parte dos clubes, especialmente na FFU. A confederação defende que a governança de uma liga deve ser controlada exclusivamente pelos clubes e pela própria entidade, sem que parceiros comerciais exerçam poder deliberativo. Na FFU, que reúne 32 clubes, a Sports Media Participações, investidora que aportou R$ 2,6 bilhões em 2023 pela aquisição de partes dos direitos de transmissão por meio século, detém 20% dos votos no "Condomínio" – estrutura que gerencia os acordos comerciais. Embora os clubes somem 80% dos votos, certas deliberações exigem 90% de aprovação, conferindo à empresa, na prática, um poder de veto. Para a CBF, tal estrutura seria imprópria para uma liga. Esse ponto já motivou ações de clubes, como o CSA, de Alagoas, que levou a questão à Comissão de Ética da CBF e ao STJD.

**Estratégias de Aproximação e Possíveis Saídas**

A CBF tem se articulado para facilitar a criação da liga. A entidade, por exemplo, assumiu a negociação dos direitos de transmissão de clubes que ascenderam à Série B, como São Bernardo e Náutico, garantindo-lhes acordos financeiramente superiores aos de algumas equipes da FFU. Adicionalmente, comprometeu-se a cobrir despesas de logística e arbitragem da Série B, mediante a adesão dos clubes a um plano de reestruturação financeira da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Uma solução para o impasse com o investidor da FFU seria a recompra dos direitos, embora a situação financeira de muitos clubes, especialmente os menores, complique essa alternativa. Ademais, um parecer recente da Secretaria de Futebol e Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte aponta que a Lei Geral do Esporte e a Constituição indicam restrições ao poder de decisão de investidores em ligas desportivas, contrariando a defesa da FFU sobre a legalidade de sua parceria com a Sports Media.

**O Horizonte de 2030 para um Novo Produto**

A formação da liga não tem um prazo final, mas a CBF acredita que o ideal seria estabelecê-la o quanto antes para formatar um "novo produto" para a venda dos direitos de transmissão do ciclo que terá início em 2030. Atualmente, os direitos dos clubes da Libra e da FFU somam cerca de R$ 3 bilhões. A expectativa é que a união dos 40 clubes, ao apresentar-se em bloco no mercado, valorize significativamente esses direitos, tornando a eventual saída do investidor mais atrativa financeiramente. A reunião do dia 6 de abril de 2026 será um marco para definir a rota das discussões nos próximos meses, em um período decisivo para o futuro organizacional e financeiro do Campeonato Brasileiro.