O Maracanã será palco, neste domingo, de um dos reencontros mais aguardados da temporada para o Fluminense. Mais de um ano após sua chegada ao Tricolor, Agustín Canobbio terá a oportunidade de enfrentar, pela primeira vez, o Athletico Paranaense, clube que o projetou, mas do qual saiu sob um crivo de críticas. O cenário, contudo, é drasticamente diferente para o atacante uruguaio, que hoje ostenta um status de protagonista sob o comando de Luis Zubeldía.
A etiqueta de "atacante sem gol", que tanto incomodava Canobbio e era um fardo em sua passagem pela Arena da Baixada, ficou para trás. Em 2024, sua melhor temporada pelo Furacão, os nove gols em 48 partidas, embora respeitáveis, não foram suficientes para afastar a pressão e as expectativas de uma torcida exigente.
No Fluminense, o camisa 11 floresceu. Em um ciclo que abrangeu a temporada de 2025 e o início de 2026, Canobbio não só superou, mas pulverizou seus antigos números. Com 13 gols e cinco assistências apenas em 2025 – um recorde pessoal –, ele se estabeleceu como um elemento vital no esquema tático. Sua versatilidade e intensidade o mantiveram como titular inquestionável sob o comando de três diferentes técnicos: Mano Menezes, Renato Gaúcho e, atualmente, Luis Zubeldía. Em 2026, a veia goleadora permanece ativa, com dois tentos já anotados, incluindo um decisivo na última quinta-feira pelo Brasileirão.
Além da produtividade em campo, Canobbio se tornou um símbolo de resiliência e, curiosamente, de uma presença que parece inspirar estabilidade no Fluminense. Sua ausência em recentes derrotas do Tricolor – seja por suspensão (cartão vermelho contra o Botafogo, excesso de amarelos contra o Bahia) ou por ter sido poupado em partidas que a equipe escalou um time alternativo – coincide com uma notável sequência invicta do clube. A última vez que o Fluminense perdeu com Canobbio em campo remonta a mais de quatro meses, em 11 de novembro de 2024, contra o Ceará. Isso sublinha sua importância não apenas técnica, mas também a influência em campo que parece trazer confiança ao conjunto.
A transação que trouxe Canobbio ao Rio de Janeiro teve seu contraponto na ida do atacante Isaac ao Athletico-PR. O jovem de 21 anos, porém, teve sua trajetória no Furacão marcada por um grave revés: uma ruptura no ligamento do joelho direito que o afastou por cerca de seis meses. Recentemente liberado pelo departamento médico, Isaac, que somou 25 jogos e uma assistência em 2025 sem marcar gols, pode, por ironia do destino, ser relacionado para o confronto contra seu ex-clube neste mesmo domingo, adicionando mais uma camada de narrativa ao embate.
O duelo no Maracanã transcende os três pontos em disputa. Para Agustín Canobbio, será a chance de cravar, de uma vez por todas, seu novo status no futebol brasileiro, um testemunho de superação e adaptação. De um atacante questionado a um dos pilares do Fluminense, sua história é um exemplo claro de como o ambiente e a confiança podem redefinir a trajetória de um atleta.
CENTRAL DOPLACAR