**Decisão Inesperada na Gávea**

O Botafogo anunciou neste domingo a saída do técnico Martín Anselmi, uma notícia que repercute com força no cenário esportivo do país. A decisão veio logo após a vitória alvinegra por 2 a 1 sobre o Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro de 2026, resultado que proporcionou um momentâneo alívio na tabela, afastando a equipe provisoriamente da zona de descenso. Contudo, o triunfo não foi suficiente para sustentar o trabalho do argentino, que enfrentava o descontentamento do proprietário da SAF, John Textor, há algumas semanas, sobretudo em relação à performance defensiva do time.

**A Raiz do Descontentamento de Textor**

O empresário americano, John Textor, manifestava preocupação crescente com a forma como a equipe se defendia. Segundo relatos a pessoas próximas, Textor observava uma excessiva exposição da zaga, algo que teria se acentuado na partida contra o Bragantino. A ausência de um volante de marcação no esquema inicial, com Danilo atuando de forma mais recuada e Allan no banco, contribuiu para uma percepção de fragilidade. O dirigente argumentava que a linha defensiva se via forçada a avançar, desprotegendo a meta. Textor utilizava a campanha de 2024, ano em que o Botafogo conquistou o Brasileirão e a Libertadores com grande solidez defensiva, como parâmetro para comparar o recuo da equipe em 2026, mesmo com investimentos no elenco. Os números reforçam o ponto: o clube carioca sofreu 12 gols nos primeiros seis jogos do atual Brasileirão, e um total de 20 gols nas 18 partidas sob o comando de Anselmi.

**O Contraste de Percepções**

A decisão de Textor revelou uma cisão interna na estrutura do Botafogo. Enquanto o empresário, que acompanhava a maior parte do dia a dia do clube dos Estados Unidos, se mostrava inflexível em sua avaliação, a diretoria no Brasil e o próprio elenco demonstravam apoio ao trabalho de Anselmi. O argentino, inclusive, havia afirmado publicamente que contava com o respaldo dos jogadores e da administração local. Membros da diretoria compartilhavam impressões favoráveis sobre as ideias do técnico e a receptividade do grupo a elas. Os atletas, por sua vez, expressavam o desejo de evitar uma nova mudança de comando, sentindo que Anselmi era o "menos responsável" pela instabilidade do período.

**Análise Tática e a Questão da Flexibilidade**

A principal crítica de John Textor a Martín Anselmi girava em torno da falta de flexibilidade tática. O dono da SAF sentia que o treinador argentino priorizava suas convicções táticas, mesmo quando isso significava não adaptar o esquema às características do grupo de atletas. A utilização de jogadores em posições diferentes das suas de origem, como Mateo Ponte, lateral que chegou a atuar como zagueiro, era um ponto de atrito. Textor via no trabalho de Anselmi uma repetição de problemas observados em experiências anteriores, como no Porto, onde um sistema de três zagueiros não teve sucesso. Para o empresário, mesmo com a linha de quatro defensores, o meio-campo não apresentava a combatividade esperada.

**O Futuro e os Custos da Mudança**

Com a saída de Anselmi, o Botafogo terá de arcar com uma multa rescisória que se estende até dezembro de 2027, data do fim do contrato do treinador. Rodrigo Bellão, do time sub-20, assume interinamente enquanto a diretoria busca um novo nome para comandar a equipe. A passagem de Anselmi pelo Alvinegro, embora tenha tido a conquista da Taça Rio, também viu o clube cair de forma precoce na Libertadores de 2026. A equipe do Botafogo agora enfrenta o desafio de se reerguer no Campeonato Brasileiro, um torneio com alto nível competitivo, em meio a essa turbulência de comando e com a pressão de reencontrar a consistência que a fez campeã há dois anos.