O Botafogo se encontra novamente à beira de um precipício financeiro, com o temido "transfer ban" da FIFA pairando como uma sombra sobre General Severiano. O clube carioca enfrenta um prazo apertado, estipulado para esta segunda-feira, para efetuar o pagamento da segunda parcela referente à aquisição do meio-campista Thiago Almada. O não cumprimento desta obrigação pode acarretar em severas restrições para a inscrição de novos atletas, comprometendo seriamente o planejamento esportivo alvinegro.
A saga da dívida por Almada, contraído junto ao Atlanta United (Estados Unidos) em 2024, não é novidade nos noticiários. Em dezembro passado, o Alvinegro já havia sido alvo de um "transfer ban" que impedia qualquer movimentação no mercado de transferências. Contudo, em fevereiro, um complexo acordo foi costurado entre Botafogo, o clube americano e a Major League Soccer (MLS), permitindo o parcelamento do débito total. Naquela ocasião, o Glorioso desembolsou US$ 10 milhões como primeira parcela, liberando-se temporariamente da punição e possibilitando a inscrição de reforços para a atual temporada.
O arranjo, conforme apurou o Central do Placar, prevê um total de quatro parcelas subsequentes, cada uma no valor de US$ 5 milhões. A segunda dessas obrigações financeiras foi agendada para ser quitada na primeira quinzena de março, cujo prazo final expira hoje, segunda-feira. A inadimplência, de acordo com o pactuado, resultará em uma notificação imediata do Atlanta United à FIFA, que, por sua vez, reativará o "transfer ban" sobre o Botafogo, impedindo-o de registrar qualquer novo atleta por múltiplas janelas de transferências.
Nos corredores do clube, o cenário é de apreensão. Fontes próximas à diretoria revelam uma preocupação crescente, não apenas pela ausência do montante necessário em caixa para a parcela iminente, mas também pela sustentabilidade das despesas mensais nos próximos períodos. A percepção interna aponta para a inevitabilidade de um novo "transfer ban", dada a incompatibilidade financeira atual. Além da situação com Almada, que foi a origem da sanção inicial da FIFA, outras negociações de vulto, como as envolvendo Luiz Henrique, Barrera e Montoro, também geram inquietação. Clubes como Betis (Espanha), Junior Barranquilla (Colômbia) e Vélez Sarsfield (Argentina) já manifestaram seu descontentamento devido a atrasos nos pagamentos, sinalizando um quadro financeiro mais complexo e multifacetado que se estende para além de uma única pendência.
A dívida original do Botafogo com o Atlanta United pela contratação de Thiago Almada foi estipulada em US$ 21 milhões (cerca de R$ 109 milhões) em junho de 2024. Adicionalmente, existiam pendências contratuais no valor de US$ 9 milhões (aproximadamente R$ 47 milhões), referentes a repasses por títulos do Brasileirão, Libertadores e uma eventual transferência de Almada para o Atlético de Madrid. A incapacidade de honrar esses compromissos resultou no "transfer ban" inicial, que previa a proibição de registrar novos jogadores por três janelas de transferências até que um acordo fosse alcançado. A atual situação, se não resolvida com urgência, reeditará esse impedimento, com consequências potencialmente desastrosas para a montagem e reforço do elenco em momentos cruciais da temporada, colocando o Botafogo em uma posição extremamente delicada no cenário nacional e internacional.
CENTRAL DOPLACAR